Domingo, 13 de Junho de 2010

NERVO EM FORMA DE HÉLICE

eu não quero o que já é meu. repito: eu não quero
o que já é meu. repito com uma variante: eu não
quero o que será meu. ainda outra: eu não quero
o que será meu por destino. e outra: eu não
quero o que é meu em virtude das leis da república.
e outra: eu não quero o que é alcançável
com uma simples febre e um rosto que simula
alguma beleza com veneno respirável.
e outra: não quero um prazer falso como
a claridade entre pálpebras.
e outra: não quero o meu nome próprio e apelido.
e outra: não quero esta cidade sem sombra
e inocência rítmica. {quero viver em beirute,
quero viver em beirute, quero viver em beirute}
e outra: não quero uma imagem parada
ainda que os meus olhos sejam imóveis e
tenham visto tudo.
e outra: não quero os meus vinte e cinco anos.

Sylvia Beirute

Um dia eu hei-de conhecer a Sylvia.Repito. Um dia eu vou conhecer a Sylvia.
Em Beirute.